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quarta-feira, 21 de março de 2012

cap 15 e 16 de o melhor pra mim

Quarta-feira, dia 4 de Novembro, 23:21, QG inimido.

Thur:

- Oi, Clara. – Lua acenou para uma mulher imensa que assistia ‘Um Virgem de 40 anos’ na televisão assim que entrou em casa. A mulher se virou com alguma dificuldade e apertou os olhos para focalizar a imagem.

- Oi, Lu! – acenou, alegre. – Oi, estranho! – disse, olhando pra mim.

- Esse é o Arthur, o menino que eu estou ajudando. – ela falou, um pouco relutante.

- Oi, Arthur! – Clara me cumprimentou novamente, agora um pouco feliz demais. – Meus funcionários me disseram que vocês são ótimos! Se eu pudesse pegava sua banda pessoalmente, mas como vê, estou sem condições no momento… – ela apontou para a barriga enorme. – Mas vocês estão em boas mãos!

- Muito obrigado pela oportunidade, Sra. Blanco! – agradeci.

- Clara, você não deveria estar descansando? A qualquer momento seu hipopótamozinho sai daí e você vai reclamar que “está cansada demais para ter um filho!” – Lua dizia, enquanto subia as escadas. Fui atrás dela, sem saber exatamente o que fazer.

- Já estou subindo, mamãe! – ela gritou. – Não faça nada nesse quarto que eu não faria! – então nós entramos no quarto de Lua e tudo emudeceu.

A casa dela até que era aconchegante. Um pouco diferente do castelo do Drácula que eu imaginei… Alguns quadros na parede, um poodle toy saltitante e carente e muitas sacolas coloridas. Roupas, brinquedos e todo o necessário para colocar um monstrinho no mundo.

Já seu quarto era outra coisa.

Paredes num tom de verde escuro, pôsters forrando cada metro cúbico de tinta, uma cama desarrumada e muitos livros espalhados por todo lado. Se eu tivesse claustrofobia morreria assim que a porta se fechasse.

Ela se dirigiu ao banheiro sem dizer uma palavra, obedecendo meu discurso “temos que começar a te ajudar, urgente” que fiz antes de entrarmos na casa, e eu joguei um frasco de shampoo tonalizante em cima dela, acertando suas costas. Ela gemeu algo parecido com um “ai” e bateu a porta, mas antes pude ver sua calça escorregando pelas pernas.

Isso me perturbou um pouco.

Mas de um jeito bom, preciso admitir.

Deitei-me em sua cama e ela era tão fofa e quente que eu apaguei por alguns instantes. Mais ou menos meia hora depois ela saiu, forrando o quarto de fumaça. Acordei com o barulho do ‘clic’ da porta e fui até seu armário, como se já estivesse rondando pelo quarto há muito tempo.

- Não acredito que eu vou deixar você me mutilar desse jeito! – resmungou, esfregando uma toalha preta pelo cabelo. Estava com outra enrolada pelo corpo, mas as alcinhas do que eu pensei ser um sutiã estavam a vista, então ela não estava pelada. E eu não sabia dizer se isso era bom ou ruim… – Sério, eu nem sei onde eu estava com a cabeça pra te colocar nesse rolo pra começo de conversa! Eu gosto do meu cabelo como ele é, não quero ele mais claro… - Lixo, lixo, lixo… – eu ia jogando todas as calças desgastadas, todos os moletons rasgados e todos os tênis desbotados no chão. As únicas coisas bonitas que havia visto até aquele momento foram uma calça jeans skinny preta e um scarpin roxo de verniz. – Francamente, até o Micael se veste melhor que você!

Nossa, aquela tinha doído até em mim.

Lua jogou a toalha preta no chão e eu me virei de volta para o armário. Depois me virei para ela novamente, porque provavelmente eu estava vendo coisas. Mas eu não estava… Lua continuava ali, e o que eu havia visto também.

Pisquei os olhos várias vezes. Não era possível. Lua estava… Bonita!

Meu Deus, não acredito que eu disse mesmo isso.

Mas ela não estava só bonita. Ela poderia muito bem participar de um concurso de miss!

Todos os seus traços estavam a mostra, e com o cabelo um pouco mais claro, eu podia ver seus olhos. Suas maçãs do rosto eram rosadas e me davam vontade de apertar. Seus olhos eram grandes e expressivos, e seus cílios quase tocavam o começo das sobrancelhas, que, por sua vez, eram desenhadas com perfeição.

- Eu… Da… – tentei dizer algo, mas não conseguia. Minha língua parecia estar presa ao céu da boca.

- Quê? – ela perguntou, rabugenta como sempre, pegando um dos moletons que estavam chão. – Eu gosto desse… O que ele tem de feio!?

Olhei para o moletom verde musgo com o Pateta desenhado, piscando sem parar, perplexo.

- Eu… É… – minha boca não me obedecia. Graças a Deus ela não percebeu minha súbita gagueira. Na verdade, ela só jogou os cabelos molhados para o lado e deitou-se na cama, observando o teto do seu quarto forrado de pôsters. – É feio. – murmurei, ao poucos voltando a conversar como um ser humano.

Eu estava pasmo. Como um banho bem tomado e uma pequena mudança na cor de um cabelo poderia transformá-la de olha-ali-aquela-menina-que-esquisita em meu-deus-acho-que-estou-apaixonado!?

Balancei minha cabeça, tentando apagar tudo o que eu estava pensando. E tentando esfriar meu corpo, que parecia um carvão em brasa.

Então, para piorar tudo, ela se levantou com um salto, ficou de frente para mim, desenrolou a toalha que tinha em volta do corpo e ficou só de calcinha e uma segunda pele preta.

Na minha frente.

Na minha frente!

Mas o que diabos estava acontecendo naquele quarto?

- Então me diz: Em que tipo de roupa eu ficaria bonita!? – ela perguntou, como se não estivesse quase pelada na minha frente. Na verdade, era como se fosse normal para ela ficar de calcinha na frente de pessoas estranhas. E só de pensar que mais alguém a viu daquele jeito me deixou nervoso.

Mas o que diabos estava acontecendo naquele quarto?

- Eu preciso mudar alguma coisa!? Porque não acho que eu tenha o corpo feio… – ela deu uma voltinha, se olhando no espelho do armário. – Tenho?

- Lindo… – murmurei, hipnotizado. Ela tinha o quadril largo e a cintura fina. Seu colo era proporcional ao resto do corpo e sua barriga chapada.

- O quê? – ela perguntou, ficando um pouco constrangida – ou fingindo estar constrangida – pelo jeito que eu a olhava. Não a culpava… Quero dizer, se eu parecesse estar tão obcecado por fora quanto eu estava por dentro, eu ficaria com medo de ficar no mesmo quarto que eu mesmo.

Deu pra entender?

- Limpo! Limpo… – respondi, balançando a cabeça e desviando os olhos do seu corpo semi-nu. – Agora seu rosto está limpo, já separei tudo que você não pode usar nunca mais e eu acho que nós vamos comprar algumas roupas amanhã… Você tem cartão de crédito!? – perguntei, tentando mudar de assunto, olhando para sua janela, com o rosto completamente oposto à ela.

O que diabos ela estava pensando? Tirar a roupa na frente de um homem!? Se ela fosse feia, como eu pensava que era por debaixo de todas aquelas roupas, tudo bem, mas pra piorar as coisas ela tinha tudo em cima!

- Nossa, eu sou tão repulsiva assim!? – ela perguntou, pegando suas roupas no chão.

“Nem um pouco!” pensei. Mas era claro que eu não poderia dar o braço a torcer… Se ela soubesse de um quarto dos meus pensamentos naquele momento, eu estava ferrado.

Então eu só disse:

- Nem tanto, só um pouquinho.

- Idiota… – ela murmurou, colocando uma roupa qualquer que pegou no chão.

“Droga!” pensei, enquanto ela vestia um blusão pela cabeça.

Assim que acabou de colocar a roupa, veio em minha direção. Todo o calor que eu estava sentindo antes voltou com força total. Meus olhos não me obedeciam, cravados em seus lábios vermelhos.

Meus Deus, eu nunca havia ficado daquele jeito na presença de alguma garota antes! Tudo bem que eu geralmente estava chapado demais pra ao menos perceber a garota perto de mim, mas aquilo era estranho demais! Eu nem conhecia Lua direito! Porque estava me comportando como uma criancinha andando numa montanha-russa pela primeira vez?

- Compras amanhã? – ela perguntou, assim que ficou de frente pra mim. Balancei a cabeça feito um idiota. – Ótimo, então… – ela se curvou, passando com o rosto muito próximo ao meu. Ela estava dando em cima de mim ou o quê? – Pode ir embora. – disse, voltando a ficar de frente pra mim, me entregando as chaves do carro, que estavam atrás de mim na sua escrivaninha.

Claro… Como pude ser idiota ao pensar que ela estaria dando em cima de mim? Quando uma menina como Lua Blanco conheceria os efeitos do flerte!? Ela só estava sendo repulsiva e ingênua como sempre…

- Valeu, nerd, até amanhã. – dei um peteleco no seu nariz e caminhei rumo a porta. Mas antes de ir embora, me virei, só por desencargo de consciência. E eu posso jurar que a vi sorrindo debilmente enquanto pegava suas roupas do chão.

'gente se tiver confuso e só voltar um cap no caso o 14 q vcs vao entender a web é assim mesmo'

cap 16


Quinta-feira, dia 5 de Novembro, 11:36, matando a quinta aula.

Guys:

Aquilo já estava virando perseguição. Agora, além de tirar a roupa na minha frente - e me deixar completamente surpreso e de barraca armada, diga-se de passagem -, ela estava roubando meus lugares favoritos!?

Mas claro que tudo aquilo era minha culpa… Onde eu estava com a cabeça para pedir sua ajuda? Ela provavelmente era uma daquelas stalkers que só sossegavam quando tinham o que queriam. E o que Lua queria era o meu lindo pescocinho na sua estante.

Não que eu me importasse em morar na sua instante, observando-a trocar de roupas todos os dias depois do banho.

Meu Deus, eu disse mesmo isso?

Mas então olhei direito para ela. Seu cabelo mais claro estava preso num coque desfiado, e sua calça do uniforme estava um pouco menos larga do que o normal. Seus olhos estavam limpos, exceto por uma fina camada de lápis preto na parte inferior, e ela havia passado um gloss rosa claro nos lábios. Estava muito bonita… Daquele tipo de garota que você vê na rua e pensa: “Nossa, se eu fosse me casar um dia seria com essa menina…”, muito diferente da menina que ela era há dois dias atrás, que você veria na rua e pensaria “E lá se vai outra garota que vai ficar para titia!”. Ela ainda não sorria, claro, mas, de qualquer jeito, eu não esperava que a transformação fosse completa no primeiro dia.

Lembrei-me da noite anterior, quando ela cantou The Clash ao meu lado do carro. Eu nunca sentira tanta compaixão por alguém como por Lua naquele momento…

Mas, espera aí, eu estava mesmo pensando em Lua como um garoto apaixonado?

- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntei, tentando não olhar para ela. O que era irônico, porque nós estudávamos juntos desde o primeiro ano do ensino médio e meus olhos sempre passavam despercebidos por Lua, e agora que eu queria, não conseguia pensar em olhá-la sem contrair todos os meus músculos.

- Perguntamos o mesmo! – ela rosnou, soltando faíscas. – Esse é o nosso lugar!

- Odeio te decepcionar, Lu, mas esse é o nosso lugar desde que descobrimos que matar aula era legal! – Chay entrou na discussão, bagunçando seu cabelo de um jeito amoroso. Aquilo me fez sentir ciúmes. Eles já eram amigos? Sendo que nunca haviam nem conversado antes?

Meu Deus, eu estava ficando louco. Louco de pedra!

Vodu! Com certeza ela havia feito algum vodu pra cima de mim!

Bom, pelo menos se alguma galinha morta aparecesse na minha janela eu saberia com quem brigar…

- Oi, Soph! – Micael chegou por trás de nós e acenou para Sophia, que estava sentada ao lado de Rayanna, sorrindo. – Chegou bem em casa ontem?

- Oi, Micael! – ela respondeu, acenando com a mão, mesmo estando a menos de um metro de distância dele. – Sim, obrigada por andar comigo até a esquina de casa!

- “Oi, Soph!” – Chay imitou Micael, sentando-se ao lado de Mel, fazendo com que Micael fizesse um gesto bem feio, envolvendo seus países baixos. – E aí, o que vocês estão fazendo de bom aqui? Estudando física?

- Na verdade – Sophia tirou uma garrafa de vinho barato da mochila. –, algo um pouco mais interessante.

- Opa! – Pedro exclamou, sentando-se ao lado de Chay e pegando a garrafa de sua mão. Olhei com o canto dos olhos para Lua, que olhava despreocupada para as unhas. De um jeito lindo. “Foco Thur, foco…” – Não sabia que garotas nerds enxiam a cara!

- Nós nem somos tão nerds assim… – Rayanna deu de ombros, finalmente parando de olhar o jogo de futebol dos alunos do primeiro ano e olhando para nós. – Somos garotas como todas as outras, só que, diferente delas, tiramos boas notas… Mas vocês nunca se deram ao trabalho de descobrir isso, nos chamando de nerds o tempo todo, não é? – perguntou, e eu percebi alguma mágoa em sua voz. Seus olhos passaram por todos nós, se demorando um pouco em Pedro.

- Nós não nos damos ao trabalho de fazer nada. – Pedro deu de ombros, tentando se justificar. – Só queremos nos divertir, não nos preocupamos muito com o que os outros vão pensar. Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha, certo? Não vamos atrás de ninguém, as pessoas que se sentem atraídas por nossa estupidez.

E dá-lhe Pedro!

Elas se entreolharam.

Eu não entendia muito bem essa troca de olhares das garotas. Era tão intenso, como se elas estivessem descobrindo a porra da cura pro câncer. Mas em seguida sempre saía algo do tipo “Haha, essa blusa não é linda?”, o que era um pouco bizarro demais pra minha cabeça.

- Até que isso faz sentido. – Mel disse, concordando com a cabeça.

Sentei-me no único lugar que sobrava, ao lado de Lua. Micael já estava conversando animadamente com Sophia e Chay, Mel, Rayanna e Pedro bebiam o vinho barato de Sophia, conversando sobre banalidades, como se fôssemos um grande e feliz grupo de amigos.

Gay!

- E aí, nossos planos ainda estão de pé? – perguntei para ela, tentando evitar aquele silêncio constrangedor.

- Sim. – ela respondeu, seca.

- Às 14:30?

- Sim.

- Hm… – o que havia acontecido com a garota da noite anterior!? Lua voltara a ser a boa e velha assustadora de sempre? Temia que sim… Mas pelo menos agora ela estava mais bonita ainda…

Ficamos mais um pouco em silêncio, enquanto todos os outros pareciam se divertir. Chay estava até abraçando Mel, enquanto ela ria das suas piadas.

Por que Lua não podia ser divertida assim?

Por que eu não conseguia parar de pensar nela, mesmo que indiretamente?

Por que eu estava sempre querendo chamar sua atenção, desde o dia em que nos conhecemos?

Por que ela não podia ser legal comigo, como todas as outras garotas?

Por que eu não conseguia parar de fazer perguntas para mim, mesmo sabendo que elas não seriam respondidas?

- Eu arrumei o MySpace. – ela disse, se virando para mim. – E chamei todas as pessoas pra festa do Micael.

- Opa, quanto mais mulher, melhor. – sorri para ela, que fez uma cara de nojo e voltou a olhar para frente. – Eu só estou brincando… Por que você tem que ser desagradável sempre?

- Por que você tem que ser idiota sempre? – ela rebateu, ainda sem olhar pra mim.

- Porque esse sou eu. – dei de ombros. – Eu sou idiota.

- Que bom que admite.

- Bom, quer saber? Foda-se. – me levantei. – Vou enxer a cara no Loui’s, lá ninguém me trata mal.

- Ótimo, assim eu tenho paz. – ela respondeu, o que por um lado me deixou aliviado em saber que, mesmo se eu estivesse louco e quisesse algo a mais, ela não iria querer. Mas, por outro lado, fiquei um tanto quanto depressivo. De algum jeito completamente mórbido e distorcido, eu gostava de tê-la por perto.

Deixei o telhado sem dizer nada a ninguém. Ninguém precisava saber da nossa pequena briga, pois iriam distorcer as coisas. “Só brigam porque se gostam”, e como eu poderia gostar dela? Como ela poderia gostar de mim? Éramos de mundos diferentes! Nunca daríamos certo juntos…

Nem sei por que estava pensando em tudo aquilo… Era só mais uma garota, nada que pudesse interferir nos meus planos de vida. Tantas garotas vieram e foram, por que com ela seria diferente?

Seria por que, diferente de todas as outras, ela não estava interessada em mim? Talvez… Mas decidi que não me importaria mais. Se ela quisesse, ela que viesse atrás!

Pulei o muro e entrei no Loui’s. Bebi até dar o sinal da última aula. Loui - que surpresa -, o dono do bar, ficou preocupado quando eu disse que iria sair de carro, principalmente pelo meu estado de loucura, mas não pôde fazer nada. Expliquei a ele que tinha compromissos e que não poderia perdê-los de jeito nenhum.

Afinal, eu era um homem de palavra!

Mas porque algo me dizia que minha promessa de esquecer de uma vez por todas aquela obsessão idiota por Lua não daria certo?

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