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quarta-feira, 28 de março de 2012

cap 34 e 35 de o melhor pra mim

Sábado, dia 7 de Novembro, 13:11, churras.

Guys:

Eu parecia uma dona de casa com três filhos endiabrados. Caminhava pelo mercado empurrando um carrinho abarrotado de carne e cerveja, enquanto Pedro, Micael e Chay sumiam e apareciam de dois em dois segundos, trazendo mais e mais coisas.

- Sal! Carvão! - Pedro gritava, riscando os itens na lista.

- É pra já! - Micael e Chay obedeciam, e os três desapareciam de novo.

Virei os olhos.

- Francamente…

Mesmo ansioso para o nosso primeiro show com público, estava com a cabeça na lua,literalmente. Meu plano rodava pela minha cabeça, e eu procurava alguma falha, algo que pudesse dar errado, porque se as coisas fossem por água abaixo, meu pescoço que estaria em jogo. E eu não estava nada afim de ter que ligar pro meu pai ir me buscar na cadeia e logo depois pedir pra ele assinar minha suspensão. Já ia me ferrar pela suspensão, ser preso não estava na minha listinha de coisas-para-irritar-meu-pai.

Parei no corredor de salgadinhos e coloquei vários pacotes de Ruffles Original no carrinho, pois nosso estoque havia acabado. Caminhei até o caixa, pois não estava com saco de ficar andando como idiota pelo mercado, e parei na seção de revistas, folheando algumas enquanto os guys apareciam e jogavam coisas alheias no carrinho. Depois de mais ou menos meia hora nessa enrolação, Pedro finalmente riscou o último item da lista - fósforos - e nós fomos pagar a estrondosa conta. Colocamos tudo no carro e fomos para casa. Assim que chegamos, Pedro e Micael foram colocar as cervejas e as carnes na geladeira de fora, Chay foi conectar o iPod nas caixas de som e eu fui para o meu quarto atualizar o MySpace e o Twitter, anunciando que quem quisesse já poderia colar no churras.

Depois que fiz tudo que estava ao meu alcance, fui tomar um banho pra me arrumar.

Saí do banho, coloquei uma calça jeans preta, um All Star preto velho, uma camiseta preta e uma camisa xadrez azul e cinza por cima. Sai do quarto bagunçando os cabelos e desci as escadas, encontrando já algumas garotas da nossa escola no hall de entrada. Cumprimentei-as e apontei onde estavam as bebidas. Elas foram até lá e eu fui atrás, ouvindo cada vez mais alto a música eletrônica que tremia o chão da casa. Lá fora, alguns meninos da nossa sala estavam sentados em uma mesa de plástico tomando cerveja e rindo. Micael e Pedro estavam com eles, enquanto Chay conversava com duas meninas do segundo ano. Fui até a mesa e me sentei.

- Arthur! - Micael exclamou, passando uma cerveja para mim. - Que horas as meninas do MySpace vão chegar?

- Sei lá, eu já avisei no twitter, agora temos que esperar…

- Acho que a espera terminou. - Pedro sussurrou, apontando com a cabeça para algum lugar atrás de mim.

Virei-me devagar. Ali, na porta de correr que dava acesso à churrasqueira e à piscina, um grupo de 10 meninas estava parado, procurando por nós. Logo que nos viram, vieram em nossa direção, e atrás delas outro grupo de 7 meninas estava parado. Quando dei por mim, umas 40 meninas estavam em volta de nós. E todas elas falavam ao mesmo tempo!

- Oi, Arthur! Atravessei a cidade pra poder ver vocês!

- Autografa meu CD? Eu que gravei… Aliás, quando sai o CD de vocês?

- Minha melhor amiga te adora, mas não pôde vir… Você grava um vídeo pra ela?

Olhei para Micael, sem saber o que fazer. Ele parecia estar na mesma. Só Pedro parecia a vontade com aquele assédio. Do outro lado, perto da churrasqueira, Chay ria com algumas das meninas.

Já estava vendo que o meu dia seria tenso…

cap 35

Sábado, dia 7 de Novembro, 14:57, Blanco Records.

Girls:

Eu estava sentada na laje do prédio. O dia estava quente e ventava bastante. Meu maço de Lucky Strike estava acabando, então eu aproveitava um dos meus últimos cigarros sozinha, ouvindo o som dos carros lá embaixo. O prédio não era muito alto, mas era o suficiente para me dar vertigem, então eu estava bem longe das beiradas, com os olhos fechados.

Estava de castigo, abandonada por minhas amigas, ignorada pelo meu pai, trabalhando pela minha madrasta e muito - muito mesmo - brava com a única pessoa em quem eu pensava antes de dormir. Não podia ir ao churrasco ver a banda que eu estava ajudando, não podia me divertir… Resumindo: Não podia nada.

Suspirei.

Pelo menos estava sozinha, ouvindo meus próprios pensamentos, sem ninguém para encher o…

- Srta. Blanco, um cliente está lá embaixo te procurando. – Marcos me assustou, colocando a cabeça no vão da porta, e eu joguei o cigarro fora num reflexo. - É urgente.

- Já estou indo. - levantei-me, batendo as cinzas da minha calça jeans. - Peça para esperar na sala de Clara.

- Sim, srta. - ele fez uma mesura que sabia que eu odiava e fechou a porta, devolvendo o silêncio para mim.

Suspirei novamente.

Adeus paz.

Abri a porta e desci um lance de escadas, chegando ao último andar. Então peguei o elevador e desci para o primeiro, indo até a sala de Clara.Quando abri a porta, crente de que ia encontrar alguma banda chata me bajulando, encontrei nada mais nada menos que Sophia, Mel e Rayanna, conversando entre si.

Mas eim!?

- Oi, Lu! - Sophia exclamou, quando me percebeu ali parada.

- O que vocês estão fazendo aqui? - perguntei, surpresa.

- Bom, resolvemos passar o dia com você e só ir ao churrasco quando você estiver cansada da gente. - Rayanna explicou, sorrindo.

- Legal, né? - Mel perguntou.

- Na verdade, a Rayanna tá com medo de encontrar o Pedro, porque ela acha que vai vomitar na cara dele. - Sophia deu de ombros. - E eu não quero ver o Micael com todas aquelas fãzinhas em volta dele…

- Vocês são loucas! - exclamei, rindo, sentando-me ao lado delas. - Estão perdendo um puta churrasco!

- Com moleques idiotas e putinhas. - Mel deu de ombros. - Preferimos ficar com você.

- Diz aí, nós somos as melhores amigas do mundo! - Rayanna exclamou, abrindo os braços para um abraço.

- Você sabe que ela não tem coração, Ray, nem adianta abrir os braços… - Sophia suspirou, e eu ri. Rayanna encolheu os braços e fez beicinho.

- Ela está certa… - dei de ombros. - Eu não tenho mesmo. Mas agradeço… Meu dia seria um saco sem vocês. - disse, num dos meus raros momentos de demonstração de afeto.

- Oooown, que coisa mais fofa! - elas exclamaram, pulando em cima de mim.

Como criaturas tão peculiares eram minhas melhores amigas?

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