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sexta-feira, 30 de março de 2012

cap 36 e 37 de o melhor pra mim

Sábado, dia 7 de Novembro, 14:37, churras.

Guys:

Eu estava parcialmente escondido atrás dos amplificadores. Minhas mãos soavam. Mexi minha cabeça um pouco para o lado e pude ver Pedro testando os microfones, Chay conversando com algumas fãs e Micael estralando os dedos.

Seria possível que só eu estava nervoso?

Pelo menos umas 100 pessoas iriam assistir ao “show”! E se nós errássemos? E se eu desmaiasse? O que seria do Phoenix!?

Senti o chão sumir. Minha visão ficou preta.

Sei que pode parecer idiota, ainda mais para um “artista”, mas eu sempre tivera medo de palco. Desde que minha mãe me inscrevera para o Coral da escola e eu vomitara - aliás, vomitar é um ato constante na minha vida - na pianista.

Eu nunca mais fui o mesmo…

- Thur, vamos lá? - Pedro perguntou, tranquilo, me puxando para frente de todo mundo. - O Thur tá um pouco nervoso, gente, mas relaxa que nós já demos um remédio pro estômago dele. Sem vômitos hoje.

“Ainda bem!” Hirata, um japonês do segundo ano, gritou do fundo das pessoas, levantando uma cerveja, fazendo todos rirem.

Olhei para Pedro tentando fazer uma cara de mau, mas a única coisa que consegui foi fazer uma careta torta.

- Bom, vamos tocar uma música do Thur - Micael me abraçou pelos ombros -, ela se chama Depois da Chuva!

As meninas deram gritinhos, nossas amigas da escola cochicharam umas com as outras e os caras gritaram uns “manda ver!”.

Fui até o meu lugar, respirando curto. Sentia que poderia apagar a qualquer momento.

Não percebi a música começar e muito menos acabar. Tocava num torpor, evitando olhar para as pessoas, encarando o horizonte o show inteiro. Meu cabelo cobria a testa e eu podia sentir as gotas de suor se formarem. Quando os últimos acordes cessaram, olhei para frente, ouvindo um barulho estranho.

Aquilo eram aplausos?

Estavam me aplaudindo?

Sorri fraquinho, enquanto alguns caras assoviavam e as meninas gritavam.

- Valeu! - fui até o microfone e murmurei.

- É isso aí, pessoal! Aproveitando que o Thur não vomitou, vamos de Tchau Pra Você! Quem souber, canta junto! - Micael disse, recomeçando a tocar.

E todos os sintomas voltaram…

Aquela tortura não acabaria nunca!?

Por que não coloquei meu plano em prática antes do show!?

Onde estava Lua quando eu precisava dela!?

cap 37

Sábado, dia 7 de Novembro, 18:23, meu quarto.

Lua:

Cheguei em casa depois de algumas horas zanzando com as meninas pela cidade. Pedi para que Marcos não contasse à Clara, peguei o carro e fomos até o parque Cloverfield. Ficamos o dia inteiro conversando, tomando/comendo raspadinha de framboesa e rindo de todos e de tudo. Quando encaixei a chave na fechadura da porta, sentia-me feliz. As meninas haviam ido para o churrasco, mas nem isso estava me abalando - pelo menos não muito.

Dei oi para Clara, que respondeu com um aceno de cabeça, e perguntei pelo meu pai. Ela me disse que ele havia ido para a empresa em que trabalhava, pois um dos estagiários havia ferrado com as coisas. Com essa explicação, subi as escadas e entrei no meu casulo. Liguei a TV no MTV Hits, tirei a roupa e coloquei meu bom e velho conjunto de moletom. Joguei-me na cama e relaxei.

Por meio segundo.

Tinha acabado de fechar os olhos e ouvi um barulho baixinho de algo acertando meu vidro. Abri os olhos. Passados alguns segundos, o barulho veio mais forte. Coloquei os pés no chão, calçando minhas pantufas do Bob Esponja. Mais um barulho. “Porra, eu já vou!”, pensei, estressada. Fui até a janela e afastei as cortinas, abrindo-a. Procurei por alguém e não achei. Apertei os olhos e encontrei um isqueiro no parapeito da janela. Enrolado à ele, um pedaço de papel.

Mas eim!?

Peguei o isqueiro na mão e coloquei a cabeça para dentro do quarto. Puxei o pedaço de papel e li o que estava escrito.

“Se você está sem calcinha, dá uma risadinha!”

Olhei de um lado para o outro antes de cair na risada. O que era aquilo? O que estava acontecendo?

Mais um barulho.

Dessa vez fui mais rápida e coloquei a cabeça para fora da janela ainda rindo, mas o riso cessou no exato momento em que encontrei Thur parado em frente a minha casa. Olhei para o horizonte e avistei seu carro do outro lado da rua.

- Ouvi sua risada de dentro do carro. - ele disse, descruzando os braços.

- O que você quer aqui? - perguntei, séria. - Clara está na sala, pode te ver, e meu pai pode chegar a qualquer momento. E você não tem mais o que fazer, não? Chamei umas 100 garotas pra sua casa assistir ao seu show e você não está lá?

- Vim exatamente para te levar para o churrasco. Já fiz o show. - ele sorriu. - Quero que você vá comigo como amigos. Sem segundas intenções. Na paz. Pode ser?

Suspirei, cansada.

Ele gostava tanto assim de me infernizar?

- Thur, mesmo se eu quisesse, eu não posso sair de casa! - exclamei.

- Eu tenho um plano. - ele disse, com aquele sorrisinho sarcástico dele.

- Aaah, jura? Eu também tenho, vários! Mas nem por isso saio por aí jogando isqueiros na janela das pessoas! - respondi, e ele gargalhou.

Ouvi a porta da frente ser aberta. Thur se enfiou no meio das plantas e eu coloquei a cabeça para dentro, sentindo que meu coração ia sair pela boca. Clara foi até seu carro, abriu a porta, ficou por alguns segundos lá dentro e retornou para dentro de casa. Coloquei a cabeça para fora de novo e Thur estava lá, olhando estático para a porta.

- Isso mesmo, bonitão! Depois é preso e diz que é destino! - eu disse, bufando.

- Vamos fazer o seguinte: Você deixa eu colocar meu plano em prática. Se der errado, eu continuo te ajudando, mas você pode esquecer do Phoenix e de todos os problemas que nós te trouxemos!

Hm… Tentador!

Apoiei o rosto na mão, como se pensasse, mesmo que já soubesse a resposta.

- Hm… - fiz um suspense. - É, beleza, pode ser.

- Ótimo! Mas você tem que fazer tudo o que eu mandar! Começando por entrar em seu quarto e agir como se nada estivesse acontecendo. Espere Clara ir te chamar, e quando descer, me convide para entrar.

Ri, já imaginando aonde aquilo iria acabar, mas obedeci, fechando a janela e deitando-me na cama. Fiquei assistindo a Beyoncé rebolar até que Clara entrou mesmo em meu quarto, começando na barriga e terminando nos longos cabelos.

- Querida, tem um garoto aí dizendo que você está com os cadernos dele!

Desci as escadas atrás dela, lentamente, e quando cheguei ao pé da escada arregalei os olhos e abri a boca. Thur estava parado na porta, mas eu só o reconheci pelos seus olhos castanhos, porque todo o resto havia sumido. Ele usava uma peruca ruiva crespa, que ia até o começo das costas. Na boca usava um aparelho móvel nojento, todo babado. Uns óculos de armação tartaruga cobriam seu rosto e algumas pintas pretas estavam espalhadas pelas bochechas. Olhei para baixo, não podendo acreditar naquilo, e reparei que ele vestia uma camisa social bege grande demais para ele, enfiada dentro de uma calça de veludo marrom. Nos pés, mocassins verde musgo.

- Masquemerdaées…

- Lua! - ele exclamou, com a voz fanha e fina. - Preciso dos meus cadernos de física.

Clara me olhava incrédula, como quem diz “porque diabos você foi pegar os cadernos dessa pessoa?”, mas mal sabia ela…

- Tudo bem, Roger, pode entrar, sobe comigo que eu preciso procurá-los na bagunça do meu quarto. - eu disse, inventando um nome qualquer e fazendo sinal para que Thur me acompanhasse.

Nós fomos em silêncio, seguidos pelos olhos interrogatórios de Clara .Quando entramos em meu quarto e eu fechei a porta, não pude mais segurar a risada.

- Meu Deus! Que… Coisa é essa? - perguntei, apontando para ele inteiro.

- Um disfarce. - ele piscou para mim, e eu parei de rir na hora. - Ok, eis aqui a salvação do seu sábado à noite. - dito isso, Thur tirou da mochila que levava nas costas quatro objetos. Um parecia uma agulha, que ele prendeu no chão com uma fita isolante. O outro era um pequeno fone de ouvido sem fio, que ele deu na minha mão. Os dois últimos eram dois Walk Talk, um ele também me deu e o outro ele colocou entre meu edredom. - Seguinte: Esse microfone no chão capta todos os sons do seu quarto e do corredor, e os sons são transferidos para esse ponto que está na sua mão. Então se seus pais te chamarem ou algo do tipo, é só você apertar seu Walk Talk que o som da sua voz sai do aparelho que está na sua cama. Nós vamos trancar a porta, e se tudo der errado e alguém quiser entrar aqui, eu te trago correndo para casa.

Olhei para ele, embasbacada.

Qual era o propósito daquilo tudo?

- Você pode estar achando tudo isso demais só por um churrasco, mas não é por isso que eu estou fazendo isso. - olhei para baixo, de repente com vergonha de olhar nos olhos dele. - Eu só queria arranjar um meio de me desculpar por tudo que fiz à você. Esse foi o único jeito que encontrei…

Suspirei e levantei os olhos, encontrando os seus olhos castanhos suplicantes.

E mais uma vez eu caía no conto do vigário… Mas eu não conseguia! Simplesmente não conseguia dizer não àqueles olhos! Eles eram tão… Apaixonantes.

Deixei meus ombros caírem e sentei-me na cama.

- E então? - ele perguntou, esperançoso.

- Eu só tenho uma pergunta. - eu disse, me segurando na última ponta de orgulho que restava em mim.

- Pois não?

- Como eu vou sair daqui?

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